sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Agrotóxico ( BHC).

O governo do Paraná determinou aos produtores rurais que tenham estoques do defensivo BHC em suas propriedades, que entrem em contato com os sindicatos rurais, cooperativas ou escritórios da Emater e da Secretaria da Agricultura e Abastecimento (Seab), preencham o formulário da autodeclaração e aguardem a retirada dos agrotóxicos.

A coleta será feita por profissionais qualificados. Forte aliado dos produtores de café nos anos de 1950 a 1980, o defensivo BHC (hexaclorobenzeno) é considerado hoje um grande vilão, altamente poluente e até cancerígeno, que por isso vem sendo caçado pelo Estado.

O produtor não terá de pagar nada pelo recolhimento e não sofrerá nenhuma penalização, mesmo que o defensivo esteja enterrado ou jogado em poços desativados. A orientação é efetuar a comunicação em qualquer situação.

O secretário do Meio Ambiente de Cianorte, Ícaro Monteiro Maranhão, informou que o número de produtores rurais que ainda possuem BHC em suas propriedades é considerável. “Cianorte viveu uma grande fase da agricultura nos anos 60 e 70, época em que o município – através do IBC (Instituto Brasileiro do Café) – contava com um entreposto para venda subsidiada e assistência técnica sobre manuseio do produto, que era conhecido entre os cafeicultores como ‘pó de broca’. A máquina utilizada para pulverização do pesticida também era subsidiada pelo Estado”, lembra.

Na década de 80 foi proibida a fabricação e a venda do BHC, porém, como era um produto amplamente utilizado, muitos produtores rurais ficaram com o veneno guardado em celeiros. É o caso do produtor rural Gerson Zanzarine, que comprou uma propriedade na década de 90 e ‘ganhou’ um celeiro com vários sacos do produto. “Esta ação do Estado é muito importante. Nos anos 70 utilizei muito este defensivo, na época em que trabalhava com o café. Minha preocupação agora é dar um destino adequado para o veneno, que está armazenado na propriedade. Pretendo retirar todo este material, inclusive as bombas”, disse.

Prazo e quantidade

O prazo para produtores é 30 de novembro. A existência do BHC deve ser informada, estando o estoque tanto na zona rural quanto urbana. Os documentos formarão um banco de dados, a partir do qual será possível mapear onde está o BHC e o volume de veneno estocado no Estado. O governo não sabe quantos produtores ainda têm o agrotóxico armazenado em suas propriedades. Estima-se que a quantidade de BHC armazenado no campo ultrapasse as 140 toneladas.

Dados da Secretaria da Agricultura apontam presença do BHC em todas as regiões do Estado, com maior concentração em municípios do Norte e Noroeste. Em Cornélio Procópio haveria quase 50 toneladas do veneno. O BHC foi proibido no Brasil há 24 anos. Quando era usado nos cafezais, o inseticida foi considerado a principal arma no combate à broca, inseto que ataca os grãos de café.

Postar um comentário

Postagens populares

Google+ Badge