segunda-feira, 20 de julho de 2009

Meios de prevenção e redução

Meios de Prevenção e Redução.

Conforme Dias, “o direito à saúde, por ser um direito inerente à
própria vida do ser humano, rege-se pelos princípios da universalidade e da igualdade
de acesso às ações e aos serviços que a promovem, protegem e recuperem.”15
Para Costa, “a ampliação da noção de defesa e proteção da saúde se dá
com a apropriação social da abrangência do conceito de saúde como também da
dimensão coletiva e do ambiente, a ser protegido e defendido de agressões resultantes
do modo de operação do sistema produtivo.”16
Nesse contexto, a promoção e a proteção da saúde estão intimamente
ligadas com medidas preventivas, que evitem o aparecimento das doenças.
Para prevenir e controlar a doença é necessário conhecer, tanto quanto
possível, os elementos que participam do processo de adoecimento e os fatores que
determinam a distribuição da doença segundo o tempo, o lugar e as pessoas que
adoecem.
O objetivo da prevenção é interromper o processo de adoecimento. No
período em que a doença ainda não se instalou, cabem as ações de promoção e proteção
da saúde. No início do período da doença, a prevenção consiste no diagnóstico precoce,
no pronto atendimento e na limitação dos danos e seqüelas, por meio do tratamento
adequado. Durante a convalescença, e na eventualidade de cronificação ou invalidez,
surgem às medidas de reabilitação.
Tradicionalmente, as ações preventivas, de caráter coletivo, implicam,
por um lado, o monitoramento da ocorrência de agravos e o controle da propagação
desses agravos e, por outro, o controle, anterior à ocorrência de qualquer agravo, de
fatores que direta ou indiretamente podem constituir risco à saúde individual ou
coletiva. Contudo, a complexidade que envolve o aparecimento da doença, na
coletividade, exige que se encare a prevenção de forma integral, e se busque articular os
vários espaços de atuação das ações preventivas.
Desse modo, prevenir Lesões por Esforços Repetitivos ou Distúrbios
Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (LER/DORT) significa eliminar ou
neutralizar os eventos ou condições que levam ao seu aparecimento.
Portanto é preciso investigar quais são as causas ou condições de
trabalho que estão associadas ao aparecimento das LER/DORT. Tendo especificado
quais são essas causas, pode-se então partir para sua eliminação ou neutralização.
A LER/DORT pode ser devida a trabalhos que exigem a realização de
movimentos repetitivos; trabalhos que exigem posturas inadequadas do corpo e
membros superiores; trabalhos que exigem a aplicação de forças, tipo levantamento e
transporte de pesos, forças aplicadas com as mãos e braços; e ambientes de trabalho
onde as condições sociais (denominadas coletivamente de clima organizacional) não
favorecem bons relacionamentos e bem estar (condições psicossociais).
Sendo as causas da LER/DORT relacionadas ao trabalho realizado,
para prevenir é necessário mudar o trabalho, isto é, modificar as condições de trabalho
que podem potencialmente causar a doença.
Prevenir a LER/DORT não é o mesmo que prevenir uma doença
ocupacional de causa única, como por exemplo, intoxicação por chumbo, onde se sabe
exatamente que uma determinada dose causa a contaminação, apesar de que, mesmo
nesses casos, pode existir outras condições que agravem a moléstia. Por se tratar de
afecções multicausais não é possível determinar com precisão, antes da análise, quais
são as causas específicas daquela determinada situação de trabalho e seu peso relativo
na origem do problema. Em vista disso, é praticamente impossível prevenir a
LER/DORT sem realizar a análise das atividades do posto de trabalho suspeito.
Apesar de não ser possível esquematizar um programa de prevenção
de LER/DORT totalmente especificado, com critérios ou valores máximos e mínimos
de cada condição de trabalho que levaria à eliminação do problema, é possível descrever
quais os passos necessários e condições mínimas para uma efetiva prevenção.
Segundo Maciel, são sete os elementos para o desenvolvimento de um
bom programa de prevenção de LER/DORT:17
1 . Investigação de indicadores de problemas de LER/DORT nos
locais de trabalho, tais como queixas freqüentes de dores por parte dos trabalhadores,
trabalhos que exigem movimentos repetitivos ou aplicação de forças.
2. Comprometimento da gerência e direção com a prevenção e com a
participação dos trabalhadores para a solução dos problemas.
O segundo passo se refere ao comprometimento da gerência e
participação dos trabalhadores. Qualquer programa de controle de riscos e prevenção de
acidentes de trabalho necessita do comprometimento dos níveis hierárquicos mais altos
da empresa. Sem essa aprovação, a prevenção não é seguida corretamente pelos médios
gerentes ou supervisores. Assim, a prevenção só é efetiva quando a meta de não
existência de casos de doenças ocupacionais for tão importante quanto as metas de
produção.
Por outro lado, quando a empresa não está interessada na prevenção,
cabe aos sindicatos, mostrar a sua importância e exigir o comprometimento da empresa
na prevenção de LER/DORT.
A participação dos trabalhadores ou seus representantes também é
importante em qualquer programa de prevenção. Esse processo é ainda mais efetivo
quando os trabalhadores participam nas várias fases da implantação do programa, desde
a detecção de postos de trabalho problemáticos, análise das atividades, sugestão de
meios de controle dos riscos, até a implantação e avaliação de modificações nas
condições de trabalho.
A participação pode se dar de forma direta e individual ou através de
representantes. Em geral, a representação ocorre nas comissões de saúde da empresa
como um todo. A participação direta pode ocorrer nas equipes de prevenção do
departamento ou setor (equipes localizadas). A participação pode se dar através dos
membros da CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes), ou na falta dela, pelo
responsável, designado, pela prevenção na organização. Quando existem comissões de
saúde da empresa como um todo, elas, em geral, trabalham na:
Discussão de formas de solucionar as questões de saúde e segurança;
Elaboração de recomendações de ações preventivas;
Aprovação de recursos para realização de ações.
O trabalho das equipes localizadas, em geral, envolve a realização de
ações específicas nos postos de trabalho de uma determinada área da empresa. Nesses
grupos a participação pode ser de todos os trabalhadores envolvidos, dependendo do
tamanho da organização e do departamento, ou de alguns trabalhadores representativos
do departamento em questão.
Quando se estabelece um sistema de equipes ou grupos participativos
na prevenção de LER/DORT, as soluções devem partir do grupo e não serem colocadas
de cima para baixo, o que pode causar frustração e diminuir os benefícios decorrentes
do processo participativo.
Qualquer que seja o tipo ou nível de participação, dois fatores são
críticos para um envolvimento efetivo dos trabalhadores. Um deles é a capacitação no
reconhecimento dos riscos e nas formas de controle dos mesmos. O segundo é o
fornecimento de informações por parte da direção.
Há várias formas de participação e a forma escolhida depende da
cultura local ou da cultura da empresa em questão, bem como da natureza dos
problemas a serem resolvidos e da capacidade dos participantes.
O terceiro passo refere-se à capacitação. Identificar e resolver
problemas relacionados à LER/DORT requer algum nível de conhecimento e
capacidades em ergonomia. Assim, é importante buscar essa capacitação, se ela não for
fornecida pela empresa. No entanto, como o reconhecimento e a resposta da empresa a
diferentes necessidades de conhecimento e informação são um passo importante na
construção de um programa de prevenção, é ainda mais efetivo exigir que a empresa
capacite os trabalhadores no reconhecimento e solução dos problemas relacionados à
saúde dos trabalhadores e em ergonomia.
Com relação à ergonomia, a meta global dos cursos, dentro de um
programa de prevenção de LER/DORT, é capacitar os participantes para identificar
aspectos do trabalho que podem expor os trabalhadores a riscos de afecções
musculoesqueléticas, reconhecer sinais e sintomas das afecções e participar no
desenvolvimento de estratégias para controlá-los ou preveni-los. A capacitação dos
trabalhadores permite que estejam bem informados sobre os riscos e que possam
participar ativamente das comissões de saúde ou equipes localizadas. Os treinamentos
podem ser realizados por consultorias ou assessorias externas. Mas, nesse caso, os
instrutores devem se familiarizar primeiro com as políticas e operações da empresa ou
do ramo de atividade em questão. Além disso, devem adequar o curso às preocupações e
interesses específicos dos grupos participantes. Esse é um cuidado importante que deve
ser sempre exigido.
Se o curso é interno, na empresa, seu objetivo deve ser o de capacitar
os funcionários quanto a condições de trabalho seguras e saudáveis e problemas de
saúde, incluindo os riscos de LER/DORT. Os cursos devem ser desenvolvidos de
maneira diferente para diferentes categorias de funcionários. Eles podem variar desde a
conscientização de todos os empregados, especialmente os que trabalham em tarefas
com suspeita de exposição a risco, até cursos especializados, intensivos, para aqueles
que participam de processos participativos de prevenção de LER/DORT.
Os objetivos de uma conscientização em ergonomia, em geral
realizada por meio de cursos de curta duração para a grande maioria dos empregados,
devem ser os seguintes:
Reconhecer os fatores de risco de LER/DORT e entender as medidas
de controle;
Identificar os sinais e sintomas de LER/DORT, que podem ser o
resultado da exposição a tais fatores e estar familiarizado com os procedimentos e
cuidados de saúde;
Conhecer o processo utilizado para controlar os fatores de risco e as
possíveis formas de participação;
Conhecer os procedimentos para informar os fatores de risco e
afecções relacionadas à LER/DORT, inclusive os canais formais e informais para onde
as informações devem ser encaminhadas.
Uma forma de participação, e uma maneira interessante de lidar com
os problemas internos de LER/DORT, é a formação de multiplicadores, empregados
designados para cuidar da prevenção. Os multiplicadores têm por função estimular a
participação e formar outros empregados nas técnicas básicas de análise das atividades
dos postos de trabalho, para detecção e controle de riscos de LER/DORT, além de terem
a função de iniciar o processo de prevenção, realizando eles mesmos a análise das
atividades de alguns postos de trabalho.
É importante que os multiplicadores sejam capacitados em técnicas de
entrevista individual e em grupo e sejam capazes de assumir um papel de facilitadores
na interação com os trabalhadores.
Esses cursos não devem ter a pretensão de treinar os trabalhadores
para diagnosticar ou tratar a LER/DORT. O propósito é levar a uma compreensão dos
tipos de problemas de saúde relacionados ao trabalho e quando os empregados devem
ser levados para uma avaliação médica.
Durante os cursos, interações abertas e francas entre os instrutores e
aprendizes, especialmente os empregados que trabalham em postos de trabalho com
suspeita de LER/DORT, é especialmente importante. Esses trabalhadores conhecem
suas próprias condições de trabalho melhor que qualquer outra pessoa e são uma fonte
de boas idéias de como melhorá-las. No mínimo deve ser dado a eles a oportunidade de
discutir os problemas das suas condições de trabalho e fazer exercícios de solução de
problemas pertinentes.
O quarto passo se refere à análise das atividades desempenhadas pelos
empregados. Qualquer programa de prevenção de LER/DORT deve ter uma maneira de
investigar e determinar as causas das afecções. Para isso, a ergonomia possui uma série
de técnicas que ajudam a realizar a análise das atividades com o objetivo de diagnosticar
os aspectos inadequados do posto de trabalho que podem levar ao aparecimento das
doenças.
A coleta de informações sobre os postos de trabalho começa com uma
investigação de indicadores gerais. Os principais são os indicadores de saúde dos
funcionários:
Análise de Comunicações de Acidentes de Trabalho (CATs) ou
estatísticas médicas;
Questionários e entrevistas;
Investigações clínicas de todos os funcionários;
Exames médicos periódicos.
A existência de dados médicos fidedignos é essencial para o
desenvolvimento de um programa de prevenção. Uma investigação em profundidade
das CATs pode trazer informações sobre a natureza das doenças e indicar possíveis
fatores de risco. A análise das estatísticas médicas, prontuários ou outros dados
existentes, internos ou externos à empresa, deve ser realizada com o mesmo objetivo.
Uma maneira mais sensível de levantar os postos de trabalho que
podem estar expondo os trabalhadores a riscos de LER/DORT é realizar um
levantamento de sintomas através de questionário ou entrevista, interna ou externamente
à empresa.
A análise das CATS, dos dados médicos e dos levantamentos podem
indicar a natureza e prevalência dos problemas musculoesqueléticos. Mas é a análise
das atividades que fornece informações sobre os aspectos críticos do posto de trabalho
que podem ser as causas dos problemas. Essa identificação é essencial para a
modificação das condições de trabalho e portanto à prevenção dos problemas. Mesmo
quando não existe indicação, pelos dados médicos, da existência de problemas, a análise
das atividades pode ter uma função proativa, eliminando o risco antes que ele se instale.
De uma maneira geral, os seguintes aspectos das situações de trabalho
devem ser levados em consideração, quando se realiza a análise das atividades com
vistas à prevenção da LER/DORT: a postura corporal, os movimentos repetitivos, a
duração desses movimentos, o contato repetido ou contínuo com objetos pontiagudos ou
afiados, a exposição à vibração de um objeto, a temperatura, entre outros.
Fatores da organização do trabalho também podem determinar o
aparecimento da LER/DORT; entre eles, os principais são: jornada de trabalho muito
longa; horas extras; pausas insuficientes; ritmo de trabalho determinado pela máquina;
carga de produção elevada; e tarefas com as quais o trabalhador está pouco
familiarizado.
Além das condições acima, outros aspectos da estrutura da empresa
podem não só contribuir para o stress físico mas também para o stress psicológico.
Fatores do tipo monitoramento do trabalho, sistemas de pagamento por produção ou
falta de controle do trabalhador sobre o seu trabalho, têm um aspecto negativo sobre as
condições psicológicas dos trabalhadores e essas condições podem afetar o sistema
musculoesquelético.
Estes últimos são, na verdade, os principais fatores que podem
determinar o aparecimento ou não das LER/DORT.
Climas organizacionais tensos, relacionamentos difíceis no trabalho e
outros fatores de stress psicológico sempre acompanham ou são condições presentes
naquelas situações de trabalho com grande número de trabalhadores afetados por
LER/DORT.
A análise das atividades é normalmente realizada por profissionais
experientes em função de não existir um procedimento padrão para realizá-la. A análise
é mais bem conduzida por profissionais com treino e experiência comprovada em
ergonomia.
Apesar de não haver um procedimento padrão para realização da
análise das atividades, algumas técnicas são imprescindíveis para uma boa coleta de
dados, cujo objetivo é a completa descrição da função e das atividades do trabalhador.
Uma análise das atividades deve envolver as seguintes técnicas:
Observações informais e formais dos postos de trabalho;
Entrevistas com trabalhadores e supervisores para obtenção de
informações que não se pode obter através da observação, tais como os fatores
psicossociais, pressões para produção, pausas e outros.
No entanto, dados mais específicos podem ser necessários em uma
segunda fase e podem incluir:
Observações dos trabalhadores quando realizam as tarefas através de
filmagens, fotografias ou técnicas de observação sistemáticas para determinar o ciclo de
trabalho, adoção de posturas, "layout" da estação de trabalho, uso de ferramentas, etc;
Medições da estação de trabalho, por exemplo, medidas da altura de
bancadas, cadeiras, máquinas, etc;
Medições das ferramentas utilizadas, tais como peso das mesmas,
vibrações, tamanho dos cabos e pegas e de suas partes;
Determinação das características da superfície de trabalho;
Medições das exposições a calor ou frio e vibrações de corpo inteiro;
Cálculos biomecânicos, tais como forças exigidas ou pressões sobre
grupos musculares ou articulações, baseados no levantamento ou manipulação de cargas
e objetos;
Medidas fisiológicas de consumo energético durante as atividades;
Questionários e entrevistas especiais para determinar aspectos das
condições de trabalho que impactam o trabalhador, influenciam seu conforto ou
desempenho.
Embora a análise das atividades permita uma caracterização dos riscos
existentes, a questão do nível ou quantidade da exposição a esses riscos que pode levar
ao aparecimento da LER/DORT ainda é uma questão aberta. No atual estágio do
conhecimento, não há critérios ou limites confiáveis para determinar o aparecimento ou
não da LER/DORT, dado um determinado fator de risco. Além disso, muito depende
dos fatores psicossociais, o que é difícil de quantificar. Assim, pode-se somente
fornecer tendências e não limites absolutos. Mas a indicação da existência de condições
desconfortáveis por parte dos trabalhadores ou a existência de alguns dos fatores
indicados acima, já é suficiente para apontar a necessidade da adoção de medidas
preventivas. Com relação à prioridade que deve ser dada na realização da análise das
atividades e na implantação de medidas de controle, deve se dar prioridade para aqueles
postos de trabalho onde há casos comprovados de LER/DORT, seguidos daqueles onde
já houve casos no passado. Deve-se dar prioridade também àqueles postos onde há um
grande número de trabalhadores ou onde se pretende implantar outras mudanças,
independentemente da existência de casos de LER/DORT. Postos de trabalho
associados a queixas de fadiga ou desconforto dos trabalhadores, mesmo sem casos
conhecidos de LER devem ser analisados em segundo lugar.
O quinto passo se refere ao controle dos riscos. A análise das
atividades focalizando os riscos para LER/DORT, permite o posterior desenvolvimento
de medidas de controle que eliminem ou diminuam os riscos encontrados. É importante
ressaltar que não se pode prescindir da análise das atividades para uma correta
implantação de medidas de controle. Em alguns locais de trabalho, os gerentes afirmam
estar fazendo prevenção de LER/DORT a partir da implantação, por exemplo, de
programas de ginástica laboral ou a compra de novas cadeiras.
Essas medidas, implantadas sem a correta análise das atividades
podem, ao invés de eliminar, agravar os problemas. Além disso, programas de ginástica
laboral não são ações de prevenção de LER/DORT, pois não estão modificando
nenhuma condição de trabalho causadora das doenças.
Existem dois tipos de medidas de controle:
Controles nos ambientes, equipamentos e ferramentas de trabalho;
Controles administrativos.
A ordem de aplicação das medidas de controle deve seguir os
seguintes princípios e na seguinte ordem:
Reduzir ou eliminar os riscos potenciais modificando os ambientes,
postos e ferramentas;
Modificação nos processos de trabalho e políticas de gestão.
A primeira abordagem para prevenir os problemas de LER/DORT é o
replanejamento dos postos de trabalho, incluindo:
O arranjo dos equipamentos;
Seleção e uso de ferramentas;
Métodos de trabalho que levem em consideração, por exemplo, de
dispositivos mecânicos para aliviar o levantamento e transporte de pesos pode ser uma
medida efetiva para evitar as afecções;
Mudança nos processos e produtos para reduzir a exposição do
trabalhador a fatores de risco. Por exemplo, mudanças na forma da embalagem de um
produto para evitar movimentos repetitivos das mãos dos embaladores;
Mudanças no "layout" do posto de trabalho, o que pode ser feito, por
exemplo, introduzindo bancadas de trabalho flexíveis, com ajuste de altura ou o
posicionamento de ferramentas em posições de fácil alcance para o trabalhador;
Mudanças na forma como os materiais, ferramentas e partes são
manipulados. Um exemplo disso é a mudança do anteparo do guichê do caixa de banco,
evitando assim a postura de braços elevados no movimento de pegar os documentos;
Mudança no desenho das máquinas ou ferramentas, como por
exemplo, a mudança de uma alavanca para um botão no acionamento.
Os controles administrativos são mudanças nas práticas ou normas de
trabalho para reduzir ou eliminar os riscos de LER/DORT. Esses controles incluem:
Mudanças nas normas ou processos de produção;
Mudanças no sistema de pausas;
Rodízio de trabalhadores entre diferentes atividades;
Redução da jornada ou diminuição de horas extras;
Rotação dos trabalhadores entre diferentes funções com demandas
diferentes sobre a musculatura;
Aumento na freqüência de pausas para permitir a recuperação;
Variação das tarefas para evitar a repetição ou a manutenção
prolongada da mesma postura;
Ajuste do ritmo de trabalho para aliviar os efeitos dos movimentos
repetitivos e permitir ao trabalhador um melhor controle sobre seu trabalho;
Treinamento no reconhecimento dos fatores de risco e instruções para
alívio do stress e da carga de trabalho.
Outros fatores importantes para o sucesso da implantação de medidas
de controle é a designação de funcionários como responsáveis por elas, a existência de
um cronograma de implantação e a consideração com a logística necessária para a
implantação em larga escala.
Durante a implantação, em um processo participativo, é importante
começar com pequenas modificações que podem ser claramente identificadas como
causas de desconforto e que atinjam um grande número de trabalhadores, para depois
partir para a solução de problemas mais complexos.
O seguimento e a avaliação das soluções e modificações realizadas
são necessários para assegurar que os controles realmente eliminaram ou diminuíram os
fatores de risco e de que novos fatores não foram introduzidos a partir das mudanças. A
avaliação pode ser realizada, e é mais efetiva, quando se utilizam os mesmos
instrumentos usados na fase de análise das atividades.
O sexto passo se refere ao gerenciamento dos casos de LER/DORT.
As políticas de gerenciamento dos casos antigos e novos de LER/DORT contribuem
para a prevenção, uma vez que podem evitar o agravamento das doenças daqueles
afetados. Além disso, um clima de respeito com aqueles que apresentam sintomas ou
queixas relacionados a LER/DORT contribui para um ambiente de trabalho menos
estressante e um clima organizacional mais amigável.
Os principais procedimentos que devem ser implantados são:
Medidas que assegurem a familiaridade do trabalhador com as tarefas
que deverá realizar e avaliação dos retornos ao trabalho;
Facilitar relatos precoces de dores ou outros problemas de saúde e
acesso fácil aos serviços de saúde internos e externos;
Sistema de tratamento.
Para prevenir o agravamento entre os empregados já afetados, um
bom programa de prevenção deve ter mecanismos que:
Encorajem o relato precoce de sintomas e que os empregados com
queixas sejam prontamente avaliados pelo serviço médico;
Familiarizem os médicos e enfermeiros do trabalho com os postos de
trabalho, por meio de visitas freqüentes e acesso a informações sobre a análise das
atividades;
Modifiquem os postos de trabalho ou acomodem os empregados que
tenham limitações funcionais em outros postos de trabalho.
Acima de tudo, os trabalhadores e supervisores devem estar cientes de
que algumas demandas do trabalho podem entrar em conflito com um trabalho
saudável. Os primeiros devem ser incentivados a não ultrapassarem seus limites
psicofisiológicos, e os segundos a não exigirem uma produtividade além do limite do
saudável. Isto é, a empresa não pode exigir que os empregados coloquem sua saúde em
risco em função das demandas de produtividade. Na maioria das vezes, cabe aos
sindicatos assegurar que este princípio seja seguido.
Cabe aos sindicatos também a exigência de um ambiente livre de
pressões quanto à não existência de casos de LER/DORT. Isto é, o empregado não pode
ser pressionado a não relatar seus sintomas porque o departamento ou setor terá
prejuízos com isso.
O sétimo passo refere-se à ergonomia proativa, cuja abordagem
proativa é aplicada no planejamento de novos postos ou funções e seu objetivo é evitar
os problemas antes de sua ocorrência.
A abordagem proativa se constitui em uma série de diretrizes que
devem ser aplicadas quando do planejamento de novas funções, novos postos de
trabalho, novos procedimentos ou a compra de novos equipamentos.
Nessa abordagem, que deve ser um dos aspectos de um programa de
ergonomia ou de prevenção, a direção da empresa estabelece que nenhum posto de
trabalho, partes, materiais, ambientes ou equipamentos possam ser modificados ou
comprados sem a devida análise das possibilidades de que sua utilização venha a se
tornar um fator de risco de LER/DORT.
Para que isso ocorra, os profissionais que lidam com a compra de
novos equipamentos, ou o planejamento de processos de trabalho e ambientes devem
possuir conhecimentos sobre a ergonomia. Devem também ter conhecimento sobre os
riscos de LER/DORT e das formas de controlá-los.
Os princípios da ergonomia devem subsidiar as decisões relacionadas
aos novos processos de trabalho, ambientes e equipamentos.
Assim, a prevenção da doença está na dependência não só de medidas
ergonômicas e físicas para melhorar as condições e ambientes do trabalho, mas de
outras ligadas à sua organização, como redução da jornada, interrupção regular das
tarefas ou pausas, revisão das relações do trabalho com a finalidade de reduzir as
pressões e tensões do trabalho entre outros.
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